Fazendo TV na web, Leão diz: “Apelação por ibope é triste”

Longe da TV desde março, quando acabou o Sábado Total (RedeTV!), Gilberto Barros, o Leão, dedica-se a seu canal na internet, a TV Leão. Na entrevista abaixo, o apresentador comenta a experiência com o público da web e analisa o atual momento da televisão brasileira: “A TV como um todo perdeu qualidade”.

Entre os apresentadores brasileiros, você acaba de se tornar um precursor ao lançar seu próprio canal na internet, com conteúdo exclusivo. Como tem sido a experiência?

GB: Esse projeto já vem sendo pensando há algum tempo, há seis meses resolvemos colocá-lo no ar. Foi bem estruturado para ser uma TV na Web e tem espaço para crescer muito mais. É uma experiência nova para mim, desafiadora. A internet é um meio de comunicação onde tudo é possível, isso me fascina.

Sempre comandou atrações de longa duração na TV, ficando muitas horas no ar. Já a internet exige conteúdo rápido e dinâmico. Precisou se adaptar?

GB: Ainda estamos nos adaptando. Teremos conteúdos de diversos tamanhos, uns mais curtos e outros um pouco mais extensos. Uma boa entrevista sempre merece um espaço maior.

Nos vídeos do quadro ‘Rugido do Leão’, você emite opiniões pessoais sobre os mais variados assuntos, aparentemente sem medo de polemizar. Como escolhe os temas para esses comentários?

GB: São sempre assuntos factuais, coisas do dia a dia, que me deixam indignado. Como cidadão brasileiro que sou, acredito que tenho que compartilhar a minha opinião.

A maioria dos apresentadores de TV opta pelo politicamente correto por temer desagradar alguma parcela do público. O que acha dessa postura?

GB: É claro que, como pessoas públicas, devemos tomar certos cuidados na maneira como transmitimos nossa opinião. Muitas vezes podemos ser mal interpretados, mas acho fundamental, como cidadãos, expormos nosso ponto de vista.

Muitos apresentadores trocaram a TV aberta por canais pagos. As emissoras tradicionais já não oferecem espaço interessante para os comunicadores?

GB: Acho que a TV como um todo perdeu qualidade, a apelação pelo Ibope é uma tristeza. Neste caso, acho que a TV fechada cobra menos isso. Esta coisa de formatos prontos vindos de fora fez com que todos os programas ficassem com a mesma cara. Uma pena, pois acho que ainda existe muita coisa a ser feita na TV.

Alguns dos vídeos mais acessados no seu canal são de músicas dos discos lançados por você. Sente falta da fase musical da sua carreira? Quais estilos e cantores ouve em casa, no carro?

GB: Escuto tudo, adoro tudo e gosto muito de descobrir novos talentos. Na época que fazia shows pelo Brasil era bem trabalhoso, mas muito divertido também. Quem sabe volto a fazer novamente…

Alguns apresentadores se lançam na política. O que acha do aproveitamento da fama para conquistar um cargo eletivo? Já foi convidado a entrar na política?

GB: Fui convidado por diversos partidos, nunca aceitei, pois não me sinto preparado para isso. Assim como para outras profissões você deve estudar para exercer a função, acho que na política deveria ser igual. Quanto a usar a fama para isso, não vejo problema algum, desde que a pessoa esteja preparada. A única coisa que me incomoda são os partidos usarem pessoas famosas para conquistar votos, sem pensar no bem da população.

Tem perspectiva de voltar ao ar em alguma emissora?

GB: Estou feliz com o trabalho que estou fazendo agora. Descobri uma forma de fazer TV que está me agradando muito. Quanto a voltar à TV já existem algumas conversas, porém não tenho pressa e só volto realmente se for um bom projeto.

Pingue-pongue:

.Um apresentador de TV que serviu de referência: “Chacrinha”.

.Um formato de programa que ainda quer apresentar: “Sempre auditório”.

.Canais da internet aos quais costuma acessar: “Hoje em dia fuço em todos”.

.Entrevistados da ‘TV Leão’ que o deixaram impressionado: “Rita Cadillac, sempre muito verdadeira. Rafinha Bastos, muito parceiro. Ronnie Von, realmente um príncipe. Carlos Alberto de Nóbrega, um irmão”.

 .Uma personalidade que pretende entrevistar:  “Joaquim Barbosa (ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, peça-chave do julgamento do Mensalão)”.