MAIS DE 300 ANOS DE TRADIÇÃO E HISTÓRIA. SENHORA SANT’ANA

A comunidade de Palame (região da praia em Esplanada) realizou no último fim de semana a tradicional festa em homenagem à sua padroeira Senhora Sant’Ana. Uma tradição de séculos que preserva a fé católica e cede espaço para a festa profana, realizada na parte baixa do povoado.
A história dessa tradição data de mais de 300 anos e é contada pelos moradores mais antigos da vila. Manoel Dias da Paz, mais conhecido como Senhor Maneca, nasceu no Palame e desde sua infância participa da festa em louvor à santa. É uma festa tradicional que ultrapassa gerações. Lembro que vinha nos braços de meu pai e todo mundo tinha que usar sapatos, porque, à época, curiosamente, só se usava sapatos em dias de festa. Fiéis e penitentes acompanham as imagens para pedir e agradecer as graças alcançadas pela intercessão de Senhora Sant’Ana”, declarou.

Antes mesmo da fundação e emancipação política do município de Esplanada, a festa devotada à Senhora Sant’Ana atrai centenas de fiéis à parte mais alta do povoado para celebrar à mãe de Maria e avó de Jesus. A igreja edificada pelos Padres Jesuítas com pedras e óleo de baleia detém um acervo sacro e uma importância religiosa singular no Litoral Norte da Bahia. Com o passar dos séculos e por conseqüência das fortes chuvas e pela falta de manutenção, boa parte da igreja ruiu, restando da construção original, apenas, o altar-mor e as imagens em gesso e madeira do S. Joaquim, Senhora Sant’Ana, Nossa Senhora da Soledade (ou Nossa Senhora da Boa Morte como afirmam alguns), Nossa Senhora da Conceição, além do Senhor Morto, que é a mais antiga do Estado da Bahia na representação da paixão de Cristo.

Segundo Everaldo Lins, representante do governo para a região da praia, a Prefeitura de Esplanada vem se colocando sempre à disposição da manifestações religiosas e vem se dedicando na intermediação junto ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) para a restauração da imagem de Senhor Morto, assim como suporte e manutenção da centenária igreja, promovendo o turismo religioso com a organização da festa da padroeira.

“Um evento desta magnitude requer além do respeito à tradição, incentivo do município para salvaguardar os valores culturais e religiosos da comunidade”, concluiu Everaldo.

Parte da programação, durante nove noites, moradores da comunidade e visitantes recitaram orações ainda em latim, na preparação da grande festa em louvor à padroeira.

No domingo (27/07), com cânticos, orações e muitos fogos, devotos oriundos de todas as partes do município e de regiões vizinhas, participaram da tradicional procissão de encerramento da festa religiosa. A caminhada com os andores da padroeira e das imagens de São Joaquim, São José e Nossa Senhora percorreu as ruas do povoado e retornou à Igreja, localizada no Alto de Santana, onde os fiéis, que celebraram a novena preparatória, participaram da Missa Solene que encerrou a festa centenária.

A Festa Profana
Após a celebração da última noite do novenário, as atrações Galera da Ostentação, Jau, Amor Selvagem e Naldo Paquera embalaram os milhares de foliões que lotavam a praça, localizada na parte baixa do povoado. A Guarda Civil Municipal e a Polícia Militar garantiram a segurança e tranqüilidade do evento.

Para o prefeito é necessário manter a tradição católica e melhorar a qualidade da programação artística para fomentar o turismo que é um vetor gerador de emprego e emprego e renda. “Além de toda a manifestação religiosa, a qual temos um grande respeito e devemos valorizar, respeitar e manter toda a sua origem e tradição, a festa de Palame, que faz parte do calendário festivo do município, também traz uma grande oportunidade na geração de emprego e renda informal, através dos ambulantes que vem comercializar seus produtos durante os festejos. São centenas de famílias beneficiadas durante a festa, pois existe um complemento de renda gerado em virtude de eventos como a Tradicional Festa de Palame”, pontuou o prefeito de Esplanada.

Redação Esplanada Agora