Nomes exóticos motivam pessoas insatisfeitas a pedir troca na Justiça

Adisabeba. O nome esquisito da personagem de Susana Vieira na nova novela ‘A Regra do Jogo’ coloca em evidência quem tem nomes exóticos. O autor da trama, João Emanuel Carneiro, homenageou a capital da Etiópia ao batizar o papel da atriz. Mas, na vida real, os nomes exóticos muitas vezes incomodam. Por isso, são muito frequentes os pedidos à Justiça para mudar o que consta na Certidão de Nascimento.
De agosto de 2014 a julho deste ano, 1.250 insatisfeitos deram entrada em processos solicitando a mudança do nome de batismo na Diretoria Geral de Apoio aos Órgãos Jurisdicionais do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ). A maior parte, 1.017 casos, acabou sendo atendida. “Os deferimentos têm ajudado os proponentes a eliminar uma série de problemas e até traumas que tinham em função de seus nomes, muitas vezes realmente estapafúrdios”, diz Andressa Santos, do setor de Estatísticas do Tribunal de Justiça. No início do mês, aliás, no mesmo órgão, o pedido de divórcio feito por uma mulher chamou a atenção na Vara de Família por causa de seu nome, digamos, bastante fora do convencional: Anal.
Situações vexatórias à parte, a maioria dos que têm nomes incomuns acaba mesmo é se divertindo com a situação. Os nomes extravagantes foram muito explorados nos personagens do jornalista Léo Montenegro, que assinava a coluna ‘Avesso da Vida’, sucesso no DIA , diariamente, durante 37 anos. É o caso do advogado Schwarzenegger Kappler, de 28 anos, de Petrópolis, na Região “Meu pai (Jorge, 60) quis agradar minha avó, que era alemã e, ao mesmo tempo, seu ídolo no cinema (o ator Arnold Schwarzenegger, um dos ícones de filmes de ação de Hollywood)”, justifica “Schwaz” ou apenas “Neggeer”, que é como os amigos e parentes o chamam desde criança.
Bem humorado e franzino, longe do perfil do fortão da telona, Schwarz conta que até um juiz chegou a fotografar seu nome numa petição e postar numa rede social com a legenda: “Caramba! Ele está entre nós!”. “Achei o maior barato”, lembra. Ao dar baixa no Serviço Militar, também ouviu piadinha. “O comandante da tropa brincou: ‘Puxa, você não pode ir embora agora. Precisamos de você com um fuzil na mão para proteger os cidadãos de bem, como nos filmes’”, recorda-se o advogado, às gargalhadas. Motivo de brincadeiras, o nome chegou a atrapalhar situações românticas. Ao tentar oferecer música para a namorada Thayná numa rádio, entretanto, não conseguiu. “Ao dizer meu nome, o locutor respondeu: ‘Se você é o Schwarzenegger, engraçadinho, eu sou o Rambo’. E desligou o telefone.