Risco de contaminação com seringa é real em ataques, diz especialista

De acordo com diretora do Hospital Couto Maia, o risco de contaminação maior é de Hepatite B.
O risco de contaminação por doenças infectocontagiosas através de um ataque com seringa existe, segundo Ceuci Xavier Nunes, diretora do Hospital Couto Maia. “Para se considerar um acidente perfurocortante tem que perfurar a pele. Já existe o risco a depender do que tem na seringa”, declarou Ceuci, que fez uma ressalva em seguida: “mas é preciso que tenha a injeção do líquido” na pele da vítima.
No início do mês, duas pessoas foram atacadas por um maníaco que usava uma seringa. Entre as vítimas está um soldado do Exército. Ambas foram atendidas no Hospital Couto Maia, especializado em doenças infectocontagiosas. Até agora, a polícia aguarda que as vítimas prestem depoimento para que se possa ser feito o retrato falado do criminoso.
De acordo com Ceuci, o risco de contaminação maior é de Hepatite B. Isso é devido à característica do vírus. “Tem estudos que mostram que a transmissão do vírus em acidentes é de 30% porque é mais resistente, pode sobreviver por vários dias. Já o HIV, o risco de transmissão é de 0,3%, pois o vírus é mais lábio, vive até duas horas dentro do sangue”, explicou a diretora do Couto Maia.
Segundo ela, as duas pessoas que foram vítimas do “maníaco da seringa”, entre elas um soldado do Exército, passam por profilaxia. “Fazem uso de medicamentos antirretrovirais por quatro semanas e vacinas, no caso do risco de contaminação por hepatite B, se a pessoa não tiver tomado”, disse Ceuci.
Essas pessoas serão acompanhadas pelo ambulatório por até seis meses, com consultas e exames. No caso do risco de contaminação por HIV é descartado em menos tempo. “Se no período de dois meses o exame para detectar o HIV for negativo, não há mais risco contaminação. O período restante é para afastar a possibilidade do contágio da Hepatite B”.
Medo
O soldado do Exército foi atacado quando andava pela Avenida Joana Angélica. O CORREIO esteve nesta tarde (17) no Campo Grande, outra região centro de Salvador, e o clima é de medo. “Fico olhando para todo mundo. Não deixo ninguém tocar em mim, é o mínimo que posso fazer. Quando vêm duas ou mais pessoas em minha direção, desvio”, disse o técnico de informática Felipe Oliveira, 19 anos, que conversava com uma amiga do Praça do Campo Grande.
“Tenho medo de pegar ônibus lotado. Andar na Estação da Lapa, que é aquela agonia de gente, me deixa apreensiva”, declarou a operada de produção Cláudia Souza, 29. “É preocupante. Até agora a pessoa não foi identificada e o que a gente vê são fotos divulgadas nas redes sociais acusando pessoas que podem não ser o criminoso”, declarou o auxiliar administrativo Diego Santos, 25.
“Estou em alerta. Muita gente compartilhando um monte de fotos por aí sem saber. Uma pessoa pode até ser confundida e linchada”, disse a técnica de instrumentação Gabriela Viera, 32.

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