Políticos baianos criticam manutenção de financiamento

A Câmara dos Deputados concluiu, na última quarta-feira, parte da votação da Reforma Política e recusou a decisão do Senado de proibir o financiamento privado de campanhas políticas. Dos 39 deputados federais baianos, 15 votaram a favor do veto pelo Senado, 21 foram contrários e três se ausentaram.
Com a permanência do financiamento, muitos senadores e parlamentares acreditam que a reforma política passa a ser um mero instrumento de organização do pleito eleitoral, conforme pontuou Walter Pinheiro (PT), um dos ferrenhos defensores do fim da doação aos partidos por empresas. “A minha preocupação é que se torne apenas uma organização do pleito eleitoral, e não de fato uma reforma política”, desabafou.
A deputada federal Alice Portugal (PCdoB), pré-candidata à prefeitura de Salvador, também lamentou a decisão de permanência do financiamento, com 285 votos favoráveis contra 180 contrários. “O que aconteceu foi apenas uma minirreforma eleitoral. Nos nossos debates, prevíamos uma reforma política democrática que acabasse e extinguisse o financiamento de empresas, fruto de boa parte da corrupção que ainda ocorre no Brasil”, afirmou.
Segundo a comunista, a permanência do financiamento é um exemplo do retrocesso pelo qual passa o parlamento federal e acrescentou, ainda, que os deputados federais que votaram contra, como ela, vão se esforçar para garantir campanhas eleitorais militantes. “Lutamos até o fim, o Senado aprovou, mas na Câmara, quando o projeto retornou, prevaleceu a pauta regressiva da Câmara. Isso faz com que os que têm mais dinheiro tenham mais votos, distorcendo a vontade popular, e faz com que a Casa tenha pauta regressiva nos direitos, nos costumes e também na política”, pontuou.

manu