Liderança, Líderes e Política

Nossa sociedade é organizada em grupos e organizações, que são lideradas por indivíduos – os líderes – e desses relacionamentos podemos desprender analises sobre como esses conceitos convivem e até mesmo estabelecer paradoxos.
O termo liderança vem sendo estudado e pesquisado por mais de 70 anos e ainda não se chegou a uma posição final sobre o assunto. Sendo assim, buscarei, com esse artigo, debater alguns dos principais pontos sobre o tema. Liderança, de forma mais global, é a “capacidade de se influenciar um grupo em direção ao alcance de objetivos” (Robbins, 2002).
Esta capacidade de influenciar um grupo pode ter origem formal, pelo cargo da pessoa ou sua posição hierárquica – como em uma empresa – ou pode ser informal surgida das relações entre as pessoas que reconhecendo a existência de certas qualidades e competências adequadas às circunstâncias do momento, aceitam e elegem o seu líder– por exemplo, em um trabalho em grupo no colégio.
Sendo assim, há uma diversidade muito grande de qualidades e características que são atribuídas aos líderes; que, conforme a situação ou contexto, apresentam-se como um conjunto de atributos, alguns mais importantes para determinados momentos. Deste modo, cada líder é diferente de qualquer outro. Entretanto podemos definir algumas características gerais que são apresentadas pelos líderes, os chamados valores de liderança, tais como: Exemplificação pessoal; Responsabilidade moral; Coragem; Desprendimento; Iniciativa; Entusiasmo; Senso de Humor; Autocontrole e Disciplina consciente. Também se espera que o líder tenha como valores pessoais: Convicção; Confiança; Autoconfiança; Vocação; Dignidade; Honra; Espírito cooperativo e Idealismo. Obvio que, como referido anteriormente, esses são apenas aspectos globais. É observado, por exemplo, que muitos técnicos desportivos alcançam excelentes resultados com seus atletas não sendo bem-humorados e mesmo assim são ótimos líderes. Logo, após definirmos estes conceitos, é válido refletirmos sobre as relações que a liderança pode estabelecer.
A política pode ser considerada a mais alta organização de líderes em nossa sociedade, em que os diversos representantes dos grupos sociais brasileiros buscam, através da sua influência, assegurar os interesses de seus respectivos grupos nesse âmbito. Todavia, em nosso país se considera a política como um organismo em que são reproduzidas as mais diversas formas de corrupção, fato totalmente contrário a liderança, e por mais que haja o repúdio da sociedade aos casos de corrupção, pouco muda a cada eleição. A ética, a dignidade, a honra são fatores essenciais para qualquer indivíduo e principalmente para um líder.
Entretanto, no Brasil, existem políticos que se mantém no poder nos dias de hoje e que é sabido que eles utilizam de formas ilícitas para se beneficiarem de dinheiro público, os senhores que “roubam mais faz”, estabelecendo assim um paradoxo entre a liderança e a política.
Dentro de uma empresa privada casos de corrupção não são aceitos de forma alguma, já que vão contra os interesses da instituição, pois beneficiam os de uma pessoa ou um pequeno grupo, afetando negativamente a empresa; porém os políticos por se tratar de dinheiro público parecem não se sentirem tão acanhados para fazê-lo, principalmente por saberem que não serão punidos.
Os motivos que explicam a aceitação desse paradoxo no Brasil, remontam a nossa história e a eterna dívida que o país mantém com a educação deste povo. Assim, é válido este debate e configurar estes conceitos, pois somente dessa forma poderemos desvinculá-lo da corrupção, que jamais pode ser associada à liderança, na esfera política.

Esplanada Agora – Informação na medida certa.