Suspensão de concursos atinge 40,3 mil vagas

As medidas de cortes de gasto do governo federal causaram a suspensão de concursos públicos para 2016, o que abrange até  40.389 vagas, limite máximo previsto no Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) de 2016. A decisão deixou concurseiros ansiosos e desconfiados sobre o futuro das seleções e das chances de conquistar um cargo público.     
O concurseiro Mailon Nascimento, de 23 anos, deixou um emprego de assistente administrativo em julho deste ano para se concentrar no concurso do INSS, aprovado e muito esperado por quem deseja um cargo de nível médio. Mesmo com o pronunciamento do Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão (MPOG) de que os concursos aprovados serão mantidos, Nascimento, ficou preocupado, principalmente por causa do momento em que o Brasil atravessa.
“Nós que estamos nos preparando para concursos estamos passando por um turbilhão. Eu saí de um emprego para me preparar para o INSS. Quando eu trabalhava 40 horas por semana não conseguia estudar tanto. Deixei uma oportunidade para buscar outra e estou desempregado”, diz. 
Para o concurseiro, a aposta no concurso público é um investimento de toda a família, que está dando o suporte nesse momento. “Já investi mais de R$ 2,5 mil em cursos e livros. O apoio da família tem sido fundamental. É uma aposta de todo mundo. Espero que o concurso saia”, afirmou.
A suspensão atinge concursos do executivo federal, que dependem do orçamento da União, o que significa que empresas de economia mista e empresas públicas que tenham orçamento próprio como Caixa Econômica Federal têm autonomia para realizar concursos. Especialistas afirmam que concursos estaduais e municipais também serão mantidos. 
É o que espera a concurseira Barbara Danili Almeida, de 22 anos, que se mudou do interior do estado para Salvador exclusivamente para fazer cursinhos preparatórios para concursos. “No meu caso não fiquei muito preocupada porque não vai me impedir de continuar estudando. Ainda vou estudar para o INSS e para o Banco do Brasil.  Comecei há dois meses a estudar para concursos e isso me dá mais tempo para me preparar”, diz.
Barbara é um exemplo de um número crescente de jovens que adiam a ida para a universidade para tentar o concurso público. Para ela, a aprovação é só questão de tempo, mesmo com a suspensão do governo federal. “Quando eu for nomeada, vou fazer o curso universitário que quero para a realização pessoal”, disse. Além do trabalho na área de vendas, Barbara estuda sete horas por dia para concursos.
Longo prazo
Sócia do Só Concursos e Afins, Rose Sampaio afirma que o anúncio deixou os alunos e o segmento ansiosos. Ela acredita, no entanto, que quem está se preparando há muito tempo não vai deixar os estudos de lado. “Talvez o cargo que ele deseje não seja  divulgado, mas outros cargos serão. Concurseiro  que é concurseiro não pode se deixar abater”, disse.
A servidora pública  Mylana Diniz é uma das estudantes  que vai continuar  insistindo no concurso do INSS. “Meu objetivo é o INSS, esse é o meu perfil, não quero prestar para outros tipos de concurso. Vou continuar estudando, conhecimento é algo que não se perde. Mesmo que não seja esse ano, vai ser realizado”, afirmou.