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O mais belo dos belos: Você já foi na Saída do Ilê Aiyê?

Bloco afro faz ritual tradicional e desfila no Curuzu neste sábado (22), às 20h

Quem gosta de sair do lugar comum no Carnaval em algum momento já deve ter ouvido a máxima: “Você precisa ir na Saída do Ilê Aiyê”. Se a ideia é viver uma experiência cultural diferente na festa baiana, todos os caminhos levam ao Curuzu neste sábado. E o que tem de tão especial assim para atrair tanta gente para as ruas apertadas do bairro em pleno sábado de Carnaval?     

Na minha opinião, que acompanho a Saída do Ilê há pelo menos 15 anos, é a mistura de tradição, beleza, celebração da negritude e descontração. Sim, porque além do ritual comandado agora pela Ialorixá   Hildelice Benta dos Santos, dos cânticos para os orixás, do suingue da percussão do afro tocando ali no chão, bem pertinho do público, tem aquela alegria de encontrar amigos e conhecidos no meio da muvuca.   

O burburinho começa a partir das 20h. E é bom chegar cedo para se posicionar nas imediações da casa de Mãe Hilda Jitolu (1923-2009), onde tudo acontece. É lá que a Deusa do Ébano Gleicy Ellen Teixeira estará sendo arrumada, com muita pompa e circunstância; que autoridades, celebridades, imprensa e diretoria do bloco se apertam; e é lá que acontece o ritual que cela o desfile do bloco – este ano com o tema Botswana: Uma História de Êxito no Mundo.      

Deusa do Ébano Gleicy Ellen Teixeira (Foto: Marina Silva/Arquivo CORREIO)

Aos 59 anos, Hildelice está à frente do ritual desde 2009, quando Mãe Hilda morreu. Ela conta que aquele ano foi o mais difícil. “Minha mãe gostava muito do ritual, então foi muito difícil a primeira vez sem sua presença, e também porque eu via tudo de longe e passei a assumir”, recorda. O sábado dela será intenso, preparando as bacias de milho, pipoca e pó de pemba que serão jogados sobre os foliões, para pedir boas energias e um grande Carnaval aos orixás a Oxalá e Obaluaê. As pombas brancas também são para Oxalá. 

A religiosa, que só vai para a rua no desfile da segunda-feira, destaca que, apesar das dificuldades que o Ilê Aiyê teve este ano, o bloco está ai para reafirmar sua importância no Carnaval e seu discurso de valorização da negritude. Pela primeira vez, na terça, o afro sai sem cordas, tocando para a pipoca. “É muito caro colocar o bloco na rua”, resume a mãe de santo, que agradece a todos que “gostam e acreditam” no Ilê. E convida quem quiser pegar um axé, para chegar na noite de hoje no Curuzu. Eu vou.      

Da Redação do EA

(Com informações do CORREIO)

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