Politica

A corrupção começa de baixo para cima

16/11/2020

A maior prova de que a corrupção começa pelo povo e não pelos políticos é que nós somos os responsáveis por coloca-los lá. Cada brasileiro que deixa para escolher o candidato no último instante, pegando santinho na calçada da escola, promove a vitória de um criminoso. Sim, criminoso, pois se alguém nesse país ainda não sabe, boca de urna é crime eleitoral.

Talvez, se as pessoas soubessem que o eleitor que faz boca de urna pode ser detido e ter de pagar uma multa, as coisas seriam um pouco diferentes. O fato é que até a fiscalização faz vista grossa para algo tão “normal”, reforçando o conceito de que não há corruptor sem que haja alguém disposto a ser corrompido e sem que outros tantos não liguem a mínima.

Às 7h da manhã, o Ministério da Justiça divulgou a ocorrência de 17 casos de boca de urna, mas apenas duas horas depois, o número já havia saltado para 56, mais que o triplo. Além disso, foram flagradas mais de 60 tentativas de compra de votos, segundo boletim divulgado às 9h.

E quem pensa que essa prática só ocorre em áreas remotas e entre pessoas menos instruídas, engana-se redondamente. O que ocorre é que, em algumas regiões, o preço é baixo: saco de cimento, dentadura, furar a fila do SUS. Nas capitais a negociação é a mesma, apenas com valores diferentes: liberar Habite-se para construção irregular, “quebra” de multas, vaga para o filho na universidade.

E assim, a cada eleição, o brasileiro vê a “grande oportunidade” de mendigar um favor que, caso tivesse consciência e responsabilidade cívica, jamais precisaria. Esse tipo de político sujo que só é eleito e reeleito porque há eleitores que tão corruptos quanto eles. Infelizmente não são poucas as pessoas que não levam as eleições a sério e ainda trocam um direito conquistado a duras penas por um insignificante prato de lentilhas.

Mudar crenças é muito mais desafiador do que mudar hábitos, portanto, ainda há muito trabalho pela frente. Em vez de cobrar mudança é preciso primeiramente mudar.

Da Redação do EA

(VIA: Patrícia Lages, do R7)

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