Saúde

POR QUE É TÃO DIFÍCIL MANTER O ISOLAMENTO SOCIAL CONTRA A COVID?

15/03/2021

Após um ano de pandemia e restrições, especialistas acreditam que esgotamento e cansaço são principal motivo para aglomerações

O psiquiatra da USP (Universidade de São Paulo), Luiz Scocca, explica que mudar hábitos é um processo demorado e difícil. “Vamos admitir que passado todo esse tempo que estamos vivendo com medidas de restrições, as coisas que acreditávamos que seriam temporais estão virando hábito. E criar hábitos é muito difícil, seja ele qual for. Então, as chances de fraquejar aumentam muito”, diz.

A infectologista Sylvia Lemos Hinrichsen acrescenta que as pessoas não sabem mais o que fazer em casa. “As pessoas não têm mais o que fazer dentro de casa. Chegamos a um momento que, além da propagação da doença, as questões psicológicas são o ponto mais forte. As pessoas estão abaixando a guarda e se infectam”, afirma.

O isolamento é uma das causas de depressão e, no momento que as pessoas estão com a saúde mental afetada, a sensação de risco muda. Scocca conta que tem ouvido relatos de pacientes sobre o assunto. “As pessoas seguem ansiosas, deprimidas e com medo da pandemia. E estamos na fase da frase: ‘Quer saber… e aí vem a bomba… se eu pegar, peguei. Se tiver que morrer, morreu”, relata o médico.

Para Sylvia, a sensação de risco é ainda maior nas pessoas mais novas. “Os jovens estão passando por uma fase de desespero e sentem como se estivesse perdendo a vida. É difícil concentrar e ficar em casa. Escuto no consultório: a senhora tem a vida feita, tenho 30 anos não posso ficar fechado”, conta a infectologista.

O especialista em psiquiatria ainda acrescenta: “Temos os dois extremos. Encontramos pessoas super rígidas e outras que não se importam com nenhuma prevenção. E isso tem muito a ver com uma personalidade voltada para o risco. As pessoas não têm muito receio e acabam se colocando mais em situações de perigo. Pode significar pessoas mais arrojadas, ou que não obedecem às regras e estamos com os números de hoje”, afirma.

 “Infelizmente, o que nos protege da covid é o fator que diminui nossa saúde mental. Mas teremos de suportar um pouco mais. Muitos comparam a pandemia com a guerra. Só quando acaba nos damos conta do tempo que levou e o estrago que fez. Não estão destruindo edifícios, mas machucando muito as pessoas”, afirma Scocca.

Da Redação do EA

(VIA: CORREIO)

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